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Recordo-me
Meu olhar adolescente
fitava-te
com idolatria!
Percebi o acelerar do meu coração
e o gélido tremor das minhas mãos
quando teus lábios
cobriram ao meus.
Sim, amei-te!
Amei-te
com todo o meu ardor,
com minh’alma cheia de pudor.
Amei teus braços que embalaram
meus sonhos de amor.
Amei tuas mãos macias,
teus olhos ternos,
teu vulto todo...
Amei cada palavra tua,
cada gesto de carinho,
cada riso,
cada lágrima,
cada aceno...
Amei-te até não mais poder!
Hoje me envolves com os mesmos braços
me enlaças e tenho teus beijos,
talvez não tão sequiosos,
talvez não tão desejosos...
O que houve?
O que mudou?
Apenas o tempo passou.
Nos meus olhos já não há o mesmo brilho,
os cabelos já perderam aquele viço
e não brilha tanto ao sol.
Minha pele já não tem a maciez de outrora
e talvez o meu abraço
já não tenha mais vigor.
Mas o amor,
meu amor,
Este sim, mudou.
E se não percebeste
ele apenas amadureceu,
jamais se perdeu
em outros olhares
que não fossem os teus.
Tu te tornaste
mais amigo que amante,
mais sol e menos lua,
mais homem, menos deus...
Por isso te abraço forte
e minhas lágrimas rolam.
Não quero perder-te
mas não consigo ser para ti
aquilo que um dia fui.
Perdoa-me!
SP, 22/04/2003
16:55 hora

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A força da fé
Vou buscar, meu Deus,
nem que em águas distantes,
nem que preciso for mover céus e terras estranhas,
desbravar as matas,
enfrentar perigos angustiantes,
lutar sem armas, galgando as mais altas montanhas.
Vou buscar, Senhor,
um porto novo e seguro,
onde o barco de minha vida ancore com firmeza,
onde meus pés não encontrem
caminho impuro
e os meus anseios se emoldurem pela natureza.
Vou buscar, Senhor,
esta paz tão almejada,
expandindo todo o ser que meu peito habita.
Vou em busca da quimera
por demais sonhada
e chegar até onde meu caminhar permita.
Vencerei as angústias
de perguntas sem respostas.
Inverterei o rumo que não me foi destinado.
Despojada do fardo
que pesava em minhas costas,
seguirei tranqüila ao amanhã tão esperado!
Levarei, Senhor,
comigo somente os sonhos
eivados de esperança e do verdadeiro amor.
Deixarei para trás
os restos tristonhos
de um passado sem vida, sem rumo, sem cor...
SP,28/03/03
18:14 h

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A vida ensina
Tantos anos lutando
pela conquista do meu espaço!
Tanto tempo gritando
pela quebra dos meus laços!
Risos e lágrimas,
dores e encantos,
ganhos e perdas, tantas emoções,
são hoje
lembranças sem prantos,
presentes de Deus em suaves lições.
Aprendi com o tempo,
aprendi com a vida
que mágoas retidas só trazem dissabor,
que a angústia do peito
é causa vencida
na luta perene onde só vence o amor!
Aprendi com a luta,
aprendi com a raça
que tudo que se queira se pode alcançar.
Nos atalhos do caminho
que o destino traça,
os pequenos deslizes podem até ajudar!
Aprendi com a dor,
aprendi com a saudade
que um sonho acalentado pode não se realizar,
pois, se não depende
de um só a vontade,
o final indesejado a ninguém se pode culpar.
Aprendi a ver a vida
com olhos de amor!
10/02/2003
21:22h

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Ad eternum
Trago nos olhos
o brilho do luar
só para te amar.
Delírios suspeitos,
planos perfeitos
no meu esperar.
Noites sem fim,
medos em mim
só por sonhar.
Quero viver este amor de agora,
quero sentir este prazer que aflora,
ser para ti muito mais do que queres:
especial entre todas as mulheres!
Dou-te a taça para bebas meu vinho
e bebo contigo deste teu carinho.
Olhos nos olhos, delirante fantasia
a nos arrastar para um mundo de magia.
Sou tua, inteira, tão bela quanto me vês,
respondendo aos teus apelos e porquês.
Nada mais quero, nada de melhor almejo
do que ter-te aqui realizando meu desejo.
E assim será, ad eternum, simplesmente,
pois não és mais ilusão da minha mente.
És responsável pela cicatriz da minha ferida,
pelo meu andar risonho, pela minha vida.
SP, 19/06/2003
14:46 horas

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Ainda assim te amarei
Acabem-se as águas da face da terra,
desapareçam o sol, as estrelas e o luar,
anulem-se as matizes que a cor encerra...
Nem mesmo assim eu deixarei de te amar.
Aniquilem-se no silêncio as dores do meu pranto,
sequem-se as lágrimas que teimam em rolar,
exterminem-se da vida a graça e o encanto...
Nem mesmo assim deixarei de te amar.
Afoguem-se todos os sons da melodia,
percam-se as rimas dos versos da poesia,
ensurdeçam-se os ouvidos para o doce chilrear.
Cubram-se de lavas planícies e planaltos
e de fogo a selva de pedras nos asfaltos...
Nem mesmo assim deixarei de te amar.
SP, 22/09/2003
21:14 horas

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Durmo contigo
Apenas a tênue luz do luar
penetra em meu quarto, insinuante.
Movem-se as cortinas
como se dançassem ao som das canções
impregnadas das emoções
que brotam quando penso em ti.
Nos lençóis de minha cama
não é o meu perfume que sinto.
Busco o teu no travesseiro ao lado
que, ajeitado,
está sempre a tua espera.
E nas sombras que se formam,
feiticeiras,
teu vulto se insinua
repleto de magia.
Bola da vez...É nosso o dia!
Reclino minha cabeça
como se fosse em teu peito
e no teu abraço me deleito.
Ouço o pulsar do teu coração
que me diz tanto
quanto os carinhos da tua mão.
Sonhos tão belos
que acontecem no meu sempre,
que se misturam no meu hoje,
e que se perdem no meu eterno amanhã.
Formas que se delineiam
e que passeiam,
flutuando nos meus lençóis de linho.
Enganas-te, querido,
do meu quarto
já és velho conhecido.
Durmo contigo!
SP, 26/09/2003
15:21 horas

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de Cleide
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